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Córrego Limpo já recuperou 16 córregos paulistanos

Programa é desenvolvido pelo Governo do Estado, por meio da Sabesp, em parceria com a Prefeitura de São Paulo. Em dois meses, mais de 20 serão despoluídos

Pneus, fogões, sofás, garrafas, colchões e um odor quase insuportável. Essa era a realidade de 16 córregos da capital paulista. O quadro, porém, mudou e graças ao programa Córrego Limpo esses cursos d’água estão despoluídos. O projeto é uma parceria do Governo do Estado, por meio da Sabesp, com a Prefeitura de São Paulo. Até o final de março, outros 26 devem ser recuperados.

A primeira fase do projeto beneficiará cerca de 2,5 milhões de pessoas, com a limpeza dos 42 córregos citados acima. A área de abrangência do programa nesta etapa é de 204 km². Outros 58 córregos serão despoluídos até julho de 2010, favorecendo mais 1,3 milhão de munícipes. Os investimentos totais previstos, entre a Sabesp e a Prefeitura, são de R$ 440 milhões.

Os benefícios são visíveis. Antes sujos, com esgoto e mau odor, os córregos passaram a contar até com a presença de peixes. O índice usado para medir a poluição dos cursos d’água, conhecido como Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO), é prova do sucesso do programa. Com a poluição, os córregos ficam repletos de matéria orgânica, sendo necessária determinada quantidade de oxigênio para manter vivos as bactérias e outros microorganismos que se alimentam destes resíduos. Ou seja, quanto maior a DBO registrada, mais poluído está o curso d’água, pois significa que necessita de elevada quantidade de oxigênio para a estabilização da matéria orgânica biodegradável presente.

Até o momento a maior intervenção foi feita no Córrego Sapateiro, que despejava no Rio Pinheiros esgotos de boa parte da região dos Jardins e dos bairros do Ibirapuera, Paraíso e Vila Mariana. Para afastar os esgotos do córrego foi necessária a construção do coletor-tronco Sapateiro. Trata-se de uma tubulação de 2,5 km de extensão e 1,5 km de diâmetro. Com a obra, cujos investimentos foram de R$ 20 milhões, 400 litros por segundo de esgoto deixaram de ser despejados no Rio Pinheiros. Esses esgotos são, agora, levados à Estação Elevatória Pinheiros e, posteriormente, seguem para serem tratados na Estação de Tratamento de Esgoto Barueri. O índice de DBO do córrego caiu de 62 para 12 por miligrama/litro.

Mas há outros exemplos não menos importantes. O Córrego Parque do Cordeiro, que drena áreas da Chácara Flora e Chácara Monte Alegre, na Zona Sul, apresentava DBO igual a 61 mg/l, e atingiu 6 mg/l após os trabalhos de despoluição e limpeza. Outro exemplo é o Córrego Horto Florestal – Ciclovia, na Vila Amélia, que chegou a ter DBO de 167 mg/l. Hoje, o índice é de apenas 4 mg/l. Já o Tenente Rocha, na Vila Santana, era alvo de muitas reclamações por conta do seu mau cheiro. Atualmente com 8 mg/l, o córrego chegou a ter DBO igual a 101 mg/l.

A revitalização e a despoluição dos córregos estão sendo realizadas por meio de ações como a de aprimoramento dos sistemas de esgotamento sanitário e limpeza do entorno. O trabalho da Sabesp é o de executar as obras de prolongamento de redes, coletores e interceptores, aumentar o número de ligações domiciliares de esgotos, além de realizar a manutenção e o monitoramento das redes existentes.

Já as 18 subprefeituras que participam do programa são responsáveis pela limpeza mecânica e manual dos córregos, a contenção e manutenção das margens, além da verificação de eventuais interferências na rede de microdrenagem (bocas-de-lobo e galerias). Também agem na fiscalização das ligações de esgotos, notificações e multas aos imóveis que não estiverem corretamente ligados à rede coletora e, principalmente, na remoção e reassentamento de pessoas que residem nas faixas dos fundos de vale requeridas à passagem das tubulações de esgotos.

Os córregos paulistanos são afluentes dos grandes rios metropolitanos (Tietê, Pinheiros e Tamanduateí). Sua contaminação normalmente afeta outros cursos d' água e a bacia hidrográfica como um todo. A sujeira acumulada provoca mau cheiro, transmite doenças, atrai ratos, baratas e ainda contribui com a ocorrência de inundações em dias de chuva.

Ainda que não sejam diretamente aproveitados para o abastecimento de água, os córregos interferem muito nas condições de saúde e saneamento. Nas enchentes, as águas da chuva se misturam com esgotos não tratados, agravando os riscos e danos aos moradores das áreas atingidas. Mais do que despoluir e manter os córregos limpos, a parceria entre Prefeitura e Sabesp trabalha na conscientização e educação ambiental da população diretamente beneficiada pelo programa, fator fundamental para a consolidação dos resultados obtidos.

Córrego
Subprefeitura
Bairros beneficiados
Corujas Pinheiro Alto de Pinheiros, Pinheiros
Lago da Aclimação - Pedra Azul Vila Mariana Aclimação
Sapateiro - Lago do Sapateiro Vila Mariana Ibirapuera, Paraíso e Vila Mariana
Rodrigo de Lucena São Mateus São Mateus
Carandiru - Carajás Santana/Tucuruvi Parada Inglesa, Tucuruvi, Vila Guilherme, Carandiru e Vila Paulicéia
Charles de Gaulle Pirituba/Jaraguá Parque São Domingos
Horto Florestal - Ciclovia Santana/Tucuruvi Vila Amélia
Lago Horto Florestal - Pedra Branca Santana/Tucuruvi Pedra Branca
Lago Parque Toronto Pirituba/Jaraguá City América e Jd. Felicidade
Tenente Rocha Santana/Tucuruvi Santana e Vila Bianca
Caxingui Butantã Morumbi Caxingui
José de Araújo Ribeiro Butantã Rio Pequeno e Jd. Ester
Invernada Santo Amaro Campo Belo e Aeroporto
Parque do Cordeiro Santo Amaro Chácara Flora e Chácara Monte Alegre
Iporanga - Esmeralda Capela do Socorro Jardim Iporanga e Parque Esmeralda
Rincão Itaquera e Penha Vila Matilde e Cidade Patriarca

 

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