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Alunos e professores ajudam a despoluir Córrego Cipoaba

Comunidade do parque São Rafael, em São Mateus, colaboram com as melhorias realizadas pelo poder público

A despoluição do Cipoaba está mudando não apenas a cara do Parque São Rafael, em São Mateus, mas também o futuro da estudante Aline de Andrade, de 14 anos, que há três anos trabalha pela limpeza do córrego, um dos 42 que fazem parte do Programa Córrego Limpo, uma parceria Prefeitura de São Paulo com a Sabesp.

Uma das frentes de atuação do Programa é o projeto de educação ambiental em escolas particulares, municipais e estaduais da capital paulista. “A iniciativa não pode vir apenas dos órgãos públicos. A participação dos moradores é fundamental para o sucesso do Programa. A despoluição de um córrego precisa estar atrelada a projetos de educação ambiental, caso contrário, fica difícil manter esse curso d’água limpo”, afirma o prefeito Gilberto Kassab.

O programa Revitalização do Cipoaba, por exemplo, nasceu na escola Isaac Schraiber, onde Aline estuda. A iniciativa surgiu a partir de atividades relacionadas ao meio ambiente elaboradas pelos professores da escola, inclusive com uma visita ao Cipoaba. Motivados pelo desejo de melhorar o bairro em que vivem, os alunos passaram a se envolver no projeto. Só faltava o investimento, que chegou por meio da Sabesp e da Subprefeitura de São Mateus, e o apoio de instituições como a ONG Água e Cidade.

Mostra Cultural na comunidade

A luta da comunidade em parceria com o poder público já deu frutos. Inspirados nesses trabalhos sobre água e meio ambiente, os alunos de 5º série da Isaac Schraiber montaram uma Mostra Cultural sobre a revitalização do córrego. Entre outras atrações, esteve em exposição uma maquete do Rio Tietê, que mostrava as águas desde a nascente do rio, em Salesópolis, até as estações de tratamento de água e esgoto.

De acordo com a diretora da escola, Teresa Cintra, os alunos se envolveram tanto no projeto que hoje é possível propor alterações de comportamento e ensinar valores culturais. “As crianças passaram a se preocupar não só com questões ambientais amplas como o efeito estufa e alterações climáticas, mas também com o entorno da escola, como o lixo que costumava ser jogado no rio. Hoje eles ensinam os pais e amigos que é preciso respeitar esses valores que eles adquiriram aqui”, conta Teresa.

O Córrego Cipoaba possuía águas limpas e era utilizado como área de lazer por moradores até os anos 70. Atualmente ele ainda está poluído por esgotos domésticos lançados clandestinamente e ainda possui famílias morando em situação precária em suas margens. “Para se ter uma idéia, até um orelhão foi retirado de dentro do Cipoaba. Não adianta limpar o córrego e fazer o saneamento se a população não colaborar. Esse trabalho de conscientização é a parte mais importante do Programa Córrego Limpo”, explica a diretora.

Os trabalhos estão a todo vapor no Cipoaba. “O coletor-tronco estava previsto para ser construído só em 2012, mas graças ao abaixo-assinado da comunidade ele já está pronto”, afirma Dilamar Zago, vice-diretora da escola. “Fomos de porta em porta colher assinaturas dos moradores. Foi trabalhoso, mas valeu a pena”, conta a estudante Aline.

As obras devem terminar na metade do ano que vem. Só a Prefeitura estima investir mais de R$ 6 milhões na despoluição em 2008 e a Sabesp, mais cerca de R$ 1,5 milhão. “O mais interessante do Projeto de Recuperação do Cipoaba é que ele nasceu na sala de aula e ganhou força política e visibilidade com o apoio da Subprefeitura e da Sabesp. Hoje não só os alunos, mas a comunidade como um todo adquiriu consciência crítica. Juntos, sociedade, escola e poder público, estamos construindo uma nova história no Parque São Rafael”, comemora Dilamar.

A Subprefeitura de São Mateus está encarregada da limpeza manual ou mecânica do córrego, da revitalização das margens, notificação, autuação, fiscalização e, se for preciso, a remoção das moradias irregulares. À Sabesp cabe eliminar a emissão de esgotos por meio de obras de prolongamento de redes, coletores e interceptores, aumentar o número de ligações domiciliares de esgotos, além de fazer a manutenção das redes já existentes e monitorar periodicamente a qualidade da água.

Além da despoluição do córrego e dos trabalhos de educação ambiental com a comunidade, quase 40 mil pessoas do Parque São Rafael, Jardim Rodolfo Pirani, Jardim Santa Adélia e São Mateus vão ganhar também um parque linear que deverá ser construído nas margens do Cipoaba, com investimento previsto da ordem de R$ 4,5 milhão.

Fonte: Prefeitura de São Paulo

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