Como a biotecnologia contribui para o saneamento básico

O saneamento básico encontra na biotecnologia a solução para o problema de tratamento adequado de efluentes. Mesmo que o saneamento básico no Brasil tenha tido algum avanço, há ainda muitas questões sociais e ambientais à serem tratadas no que diz respeito ao tratamento de águas residuais e o seu posterior lançamento.

Muitas cidades ainda não possuem o saneamento básico necessário e, devido a isso, passam não apenas problemas ambientais, mas também problemas de saúde. De acordo com dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), apenas 48,9% dos habitantes brasileiros contam com a infraestrutura necessária para o saneamento básico.

 

Mas o que ocorre? Como tudo de inicia?

O que acontece é que os efluentes que não são devidamente coletados e lançados acabam sendo eliminados em corpos hídricos e geram sérios problemas ambientais, sociais e também problemas econômicos.

E a fim de solucionar esse problema e promover um desenvolvimento sustentável, especialistas tem desenvolvidos algumas biotecnologias que ajudarão no tratamento de águas residuais urbanas. Sendo que o processo ainda objetiva reduzir custos operacionais.

Nesse processo, uma das técnicas utilizadas é a fitorremediação, a qual trata-se de uma biotecnologia quem tem sido amplamente estudada com o intuito de tratar efluentes não apenas domésticos, mas também agrícolas e industriais.

 

Melhorias no saneamento básico com a fito remediação

A fito remediação trata-se de um processo que faz uso de determinadas plantas, as inserindo num ambiente para que, através de suas folhas e raízes, assimilem os contaminantes ali.

O processo de fito remediação de solos contaminados é usado para fazer a limpeza de metais pesados, pesticidas e também de xeno bióticos. Mas ele também é usado para eliminar poluentes aromáticos tóxicos.

E aqui podem tanto ser utilizadas plantas comuns como as geneticamente modificadas, sendo que a característica prezada é que elas sejam capazes de fazer a absorção direta dos poluentes.

Cada espécie vegetal possui suas características e contam com capacidades distintas para tratar de distintos poluentes. E isso varia segundo a quantidade de enzimas, transportadores, taxa de respiração, etc.

Mas o que espécies vegetais com boas propriedades fito remediadoras precisam possuir são alta biomassa e crescimento acelerado e também resistência a poluentes. E todas essas propriedades podem ser potencializadas por meio da biotecnologia. Por meio dessa tecnologia é possível fazer a transferência de fenótipos hipera cumuladores (essenciais para o processo) para espécies vegetais de rápido crescimento e alta biomassa.

Já haviam documentos de mais de 300 anos que citavam a fitorremediação, no entanto, o estudo científico dela e a modificação de espécies vegetais adequadas para o processo só se iniciaram a partir dos anos 80 (Lasat, 2000).

 

Conhecendo mais sobre o processo

A fito remediação é um processo que compreende outros processos quais as plantas selecionadas passam durante o crescimento no local onde se deseja realizar a limpeza. Nisso, essa planta pode usar uma ou mais de suas reações, tais como: fito estabilização, fito estimulação, fito extração, fito transformação, etc.

 

Mas qual seria a espécie vegetal ideal para esse processo?

O tipo ideal de planta para realizar a fito remediação de solos contaminados deve ser uma espécie capaz de captar, acumular e ter uma durabilidade boa de metais a fim de que a duração do tratamento seja menor. As famílias de plantas vasculares (traqueófitas), por exemplo, possuem tais características, pois são hipera cumuladoras metálicas.

Há ainda, em todo esse processo, o uso da engenharia genética, que ajuda a fazer o direcionamento das taxas limitantes de fatores para a fito remediação. E isso é importante porque cada tipo de poluente possui um destino distinto nos substratos vegetais.